O nome Omoloko ou Omolocô é utilizado para definir uma organização religiosa originária do Rio de Janeiro com práticas rituais e de culto aos Orixás.
O Omoloko é uma palavra que deriva de duas outras, originárias da língua Iorubá cujo significado é: omo = filho; loko = abreviação de Iroko ou Irôco (Chlorofora excelsa), conhecida também como gameleira branca, uma árvore sagrada.
Juntas ganham o sentido de filhos de Iroko ou da gameleira branca, fazendo alusão ao ritual que os omorixás realizam sob uma frondosa árvore de Iroko em homenagem aos Orixás e a Ancestrais.
- HISTÓRIA
A base cultural deste culto segrega-se provavelmente de um povo (Lagos/Lângodo/Sosso) situado na África. Supõe-se ser originário da cidade de Lokoja às margens do Rio Mitombo, nas circunvizinhanças dos Reinos do complexo Iorubá.
O Omoloko instaura-se no Rio de Janeiro, segundo estudiosos, no século XIX, compondo-se e organizando-se por completo no País, a partir do conhecimento trazido por negros vindos da África e seus descendentes; herança do período colonial, sofrendo influência de diversas vertentes religiosas da África, predominantemente o culto aos Orixás e aos Inkices, com ênfase nos Orixás e perifericamente nos Inkices, tornando particular sua forma de culto, mantendo a cosmologia de cada origem, mas interpretando-as a partir de rituais religiosos contemporâneos. Este fato o torna diferente dos candomblés tradicionais que mantém o predomínio de sua região original.
No Rio de Janeiro, com a miscigenação e influência do kardecismo francês instaura-se um novo movimento denominado Omoloko, disseminado prioritariamente por Tancredo da Silva Pinto, porém, o Omoloko subdivide-se em duas distintas classes sacerdotais: uma que funde os conceitos de nações africanas a conceitos modernistas do kardecismo, esoterismo e outras linhagens contemplativas denominando-se Umbanda-Omolocô ou Umbanda Cruzada e outra que mantêm afastadas e definidas as manifestações sócio-culturais, com preponderância no império Yoruba, denominando-se apenas como Omoloko. Mantendo-se como um exemplo deste seguimento a casa-de-santo Okobalaye, fundada na cidade de São Gonçalo/RJ.
- ESTRUTURA DA ROÇA-DE-SANTO
A roça-de-santo é uma distinção utilizada, inclusive, pelos Omolokos para denominar o local onde se concentram as comemorações e rituais aos Orixás. O termo é uma referência ao período colonial em que os escravos cultuavam aos Orixás às escondidas nas roças e fazendas dos senhores de engenho.
A roça-de-santo possui distintos locais que concentram axé, onde juntos, emanam energia que têm como função: proteger, encantar, equilibrar e acentuar a fé dos omorixás da roça e pousar os visitantes.
A roça-de-santo é dividida em dois ambientes: O público e o sagrado.
- O público:
Local onde se pode beber e fumar e onde se serve o Ajeum (refeição, comida), sendo um lugar que se é permitido maior descontração. Quintal
- O sagrado:
Onde se encontram os atabaques e onde é executado o xirê do santo, saídas e obrigações. Sala.
Onde se guardam todos os apetrechos e vestimentas dos Orixás. Peji.
Onde estão guardados parte dos segredos da Roça-de-santo e onde são realizadas as iniciações. Roncó.
Onde se preparam todas as comidas de santo. Cozinha-de-santo.
Onde ficam os igbás e as coisas mais sagradas dos Orixás. Quartos-de-santo.
